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Coral Santa Cecília

    Coral Santa Cecília  

A música sacra entrou no Brasil com seu descobridor, que trazia em sua companhia oito franciscanos, entre os quais o corista Frei Pedro Mello e o organista Frei Maffeo. Essa música foi difundida entre os povos indígenas pelos jesuítas. Foi valorizada, no decorrer dos tempos, pela vinda de outros religiosos e pela chegada de imigrantes das mais diversas atnias. Os “cantares” que os jesuítas ensinavam aos índios os atraía para a religião, como as “missas cantadas” envolviam os habitantes das primeiras cidades, nas celebrações religiosas.
Os cantos sacros agruparam famílias pioneiras no Bigorrilho e Campina do Siqueira, antes mesmo da fundação da Paróquia de Nossa Senhora das Dores.
Tudo começou com novenas ou terços que  eram realizados nas residências, e que continuaram nos ofícios da “igrejinha”. Entre as orações, ouviam-se hinos conhecidos por todos. Entretanto, a cultura musical, rica entre os povos de origem européia – colonizadores do Bairro – exigia uma música mais cultivada.
Foi assim que, em maio de 1939, nasceu o Coral Santa Cecília por iniciativa das senhoras Maria do Rosário (exercia a função de puxadora de cantos nas funcões reigiosas) e Adelaide Schneider (em sua casa reunia fiéis para orações).
Para organizar e orientar os cantores foi convidado Hugo Hohmann, pessoa de alta capacidade intelectual, professor de violino, canto e matérias afins, além de pianista e organista.
Apesar de ter saúde abalada, o professor não media esforços para ensaiar o Coral, sendo admirado pelos componentes, mercê de seu exemplo de vida. Congregaram-se em torno de seus ensinamentos musicais, de liturgia e orientações de conduta religiosa, os seus filhos Bruno, Eugênio, Ewaldo, Osvaldo e Walter Hohmann.
Congregaram-se, igualmente, em torno de seus ensinamentos, as sesguintes pessoas: Henrique, Adelaide e Pius Schneider; Waldemar, Maria e Lourdes do Rosário; André Haag, Adelina e Leonor Bala; Amélia e Elena Ponchecowski; Amélia, Elvira e Ivete Banzatto; Catarina Estefano; leixo, Eduardo, João e Jorge Eckermann; Felipe e João Iede; João Kissner, Alfredo e Roberto Scheidweiler; Rosa e Tereza Socoloski.
Esses cantores residiam em pontos diversos do Bairro e participavam dos ensaios realizados às quartas-feiras, às 20 horas, enfretando picadas, ruas mal iluminadas e lamacentas. Mesmo assim, em setembro de 1939, por ocasião da Festa da Padroeira, o Coral cantou a primeira Missa solene. Foi entoada a “Missa de Angelis”, considerada uma das jóias da música gregoriana, canto oficial da Igreja. Alfredo Scheidwiler, Eugênio e Oswaldo Hohmann faziam os solos. 

O Coral foi se tornando conhecido e passou a receber convites. Destacou-se a participação na benção de entronização da imagem do Sagrado Coração de Jesus, no Engenho de Mate da Fábrica Fontana. Na ocasião, os coralistas foram transportados para o local de inauguração pelo único ônibus existente na Linha Bigorrilho, dirigido pelo motorista conhecido pela alcunha de “Passarinho”. Os demais moradores do Bigorrilho ficaram sem transporte até o final das cerimônias, quando os componentes do Coral retornaram a este Bairro.
Ainda no decorrer de 1939, por ocasião da Missa do Galo, o Coral foi enriquecido com a participação de Ewaldo e Walter – filhos do Prof. Hugo Hohmann – tocando violino. Também nesta época aprendiam a tocar harmônio: o violinista Ewaldo, Pius (filho de Henrique e Adelaide Schneider) e Lourdes (filha de Waldemar e Maria do Rosário). Todos com o objetivo de prover o Coral e as cerimônias litúrgicas.
Tudo progredia a olhos vistos, mas eis que durante a missa festiva de 06 de outubro de 1940 (primeira Comunhão e encontro de vicentinos), enquanto o capelão Frei Irineu Brinkmann fazia uma preleção antes da Comunhão, caía debruçado sobre o órgão o professor Hugo. Um ataque cardíaco fulminante privava a todos dessa pessoa tão querida. Pouco antes, havia sido cantado o “Ave Verum” que, por ironia do destino, foi cantado bastante desafinado, fato pouco usual entre os comandados pelo finado mestre Hugo Hohmann.
Seu filho Ewaldo Hohamnn, que já o vinha substituindo durante as crises cardíacas, assumiu a direção do Coral. A ausência do líder fundador tornou-se presente. Foi criada uma comissão para atender as necessidades do grupo e cada participante, além de comprar seu livro de cantos – Cecília -, passou a dar uma contribuição mensal para a compra de partituras etc.
Janeiro de 1941, marcou a chegada do novo capelão – Frei Eleutério Reinecke. Com ele novas perspectivas no campo musical. Formou-se o Coral polifônico masculino, que estreou na Páscoa cantando cânticos a quatro vozes. Dividiu-se então, o “Santa Cecília” em dois corais: o feminino, que abrilhantava a Missa Dominical das 7:30 horas e o masculino, a das 10 horas.
A Noite de Natal de 1942 foi marcada pela compra, através de donativos, de um novo harmônio (o antigo era pequeno, tipo baú). A inauguração contou também com a participação de Heinz Hertel e dos irmãos Huebner, violinistas.
Em 1944, a primeira missa dominical passou para a direção do organista Pius Schneider.

A chegada de outro capelão – Frei Constâncio Jascke – em 1945, trouxe novas diretrizes para  a música: a fusão dos corais. Entretanto, o coro misto, em vez de agregar os cantores, veio a afastálos. Tanto assim que, em 1946, restavam apenas o organista Pius Scheneider e duas cantoras, Cecília e Mercedes Chimelli.
Essa situação permaneceu quase inalterada até 1952, quando, por ocasião da criação da Paróquia, o vigário Padre Francisco Madej solicitou às Irmãs da Sagrada Família a colaboração para reativar o Coral. Foram designadas as Irmãs: Júlia Preczewski (coordenadora), e Elizabeth Surmacz, Eugênia Strzelecki (organistas).
Essas irmãs, com o apoio de Maria Panek, que tomou para si o encargo de arrebanhar cantores, logo formaram um novo grupo: Alexandre Brogliane, Clemente Panek, Elenita Kaviski, Jacy Hoerner, Luiz Kleina, Maria Nadir e Tereza Alechijuk, Odete, Lourdes, Raquel e Regina Barcik, Rosa Dginkel, Tereza Haluch, José Gorski, Edgardo, Eugênio, Walter e Oswaldo Hohmann (regente).
Inicialmente os ensaios eram feitos no Colégio das Irmãs da Sagrada Família, na Avenida Vicente Machado. Logo em seguida, passaram a ensaiar na igrejinha, facilitando o acesso dos cantores, que vinham de diversos ponto do Bairro. As condições das ruas continuavam as mesmas dos primeiros tempos e a locomoção era sempre a pé. Mesmo assim, o grupo foi crescendo e antigos componentes voltaram. Todos se mantinham firmes sob a batuta do Maestro Oswaldo Hohmann, apesar de ressentirem com a troca das irmãs que orientavam os ensaios.
Após a transferência das irmãs Júlia e Elizabeth, assumiu a Irmã Eugênia, seguida pela Irmã Cornélia Jubel, finalizando com a Irmã Regina. Suas participações foram de grande valia para o grupo, pois, além de organistas, eram as “ensaiadoras”. Neste período foram aprendidas músicas que abrangiam qualquer ocasião ou período litúrgico, destacando-se a execução da missa completa de “Françóis”, trazia da matriz de São Francisco do Sul – SC, por Jacy Hoerner, e por ela ensaiada e dirigida.

Em 17 de janeiro de 1960, assimiu  a Paróquia Nossa Senhora das Dores o Padre João Augusto Sobrinho. Logo após a sua chegada, nomeou a Diretoria para reger os assuntos do Coral.
Era formada por Clemente Panek (presidente); Oswaldo Hohmann (regente); Eugênio Hohmann (coordenador); Luiz Treicik (tesoureiro); com exceção do maestro, todos permanecem até hoje nos cargos. Para preencher a lacuna deixada pelas irmãs da Sagrada Família, convidou organistas leigos: Evaldo Hohmann, que logo mudou-se para outra paróquia, e Pius Schneider.
Com seu grande conhecimento musical, o Padre João tomou as rédeas do coral, programando ensaios, trabalhando novo repertório. Algumas peças eram autoria de seu ídolo, Fúrio Franceschini, mestre da música sacra, organista e compositor. Foi um período áureo, quando peças a quatro vozes e de difícil interpretação eram executadas. A que mais empolgava os coralistas era a “Ave Maria” de Somma.
Para melhorar a sonoridade dos acompanhamentos, foi adquirido, em 1962, o primeiro órgão eletrônico da Paróquia. Seguiram-se outros dois, também um harmônio, operado por motor elétrico ou pedais, cujo objetivo era tocar mesmo quando faltava a energia elétrica.
Tanto empenho e dedicação só poderiam culminar com convites para apresentações cada vezm em maior número: igrejas como a Catedral, Ordem, Bom Jesus, Orleans etc... Canais de Televisão e Rádio. A participação nas missas de Domingo da “igreja dos passarinhos”, transmitida ao vivo pela Rádio Clube Paranaense, às 9 horas, durante 14 anos, contribuiu em muito para que o Coral se tornasse conhecido fora de Curitiba e do Paraná.
Assim, o Coral Santa Cecília, com 73 componentes, completou 50 anos. A data foi marcada, entre muito júbilo, com Missa, sessão solene, almoço de confraternização e viagem a Foz do Iguaçu.
A comemoração iniciou em 27 de maio de 1989, com uma Missa rezada em Ação de Graças  e  abrilhantava pela participação do violinista Walter José Hoerner. Naquela ocasião foram usados, pela primeira vez, uniformes em em estilo “bata”, estampado com o emblema do Coral. Ele foi criado para a ocasião e ofertado pela designer Adriana Vallada Cunha, que se inspirou na figura do Maestro Oswaldo Hohmann para idealizá-lo.
A sessão magna contou com a presença do ex governador Ney Braga, autoridades, convidados, ex companheiros e familiares e veio resgatar a memória e lembrar todos aqueles que fizeram a história do Coral: Antônio stygar; Ana Cristina; José; Wilma e Francisco Gorski; Dolores e Milton Teixeira; Eva Panek; Jacy Nóbrega Hoerner, José Joli, Renato Alberge, Rosi Mari Panek, Waldir Grisard Filho, Altair Probst; Antonieta e Audrey Gorski; Antonio Burda, Cecília Agner, Douglas Sprada, Elza da Silva, Ervino Panek, Francisco Keller Filho; Francisco, Cecília e Marcos Nunes; Gisela Raulik, Gleuza Gaio; Irineu e Denise Pereira; Ismênia Fantinato, Jadviga Rodacki, João Batista e Leonilda Forischi; José Simões, Júlia Drongeck, Maria José Lucena; Paulo e Leonete Kachubowski; Paulo Jaworski; Venuto e Maria Culpi; Waclaw Kowalczuk; Walter Hoerner. Alguns já são falecidos e outros permancem atuantes até a data de hoje.
Mantendo a tradição, para finalizar, foi cantada “A Barquinha”, canção que começou como brincadeira e tornou-se obrigatória nos encontros não religiosos.
Seguindo sua trajetória, o “Santa Cecília”seguiu cantando não só na Paróquia, mas  também em missas de formatura, casamentos, abrilhantando festas religiosas, em diversos pontos de Curitiba, região metropolitana e municípios vizinhos. Destacou-se ainda a participação na festa de Nossa Senhora Aparecida em Guaramirim – S.C.
Mas aos coralistas não bastava apenas serem participantes diretos da liturgia. Eram destaques nas quermesses paroquiais, campanhas, bingos etc. Sempre estavam de mangas arregaçadas para trabalhar também a parte material da Paróquia. Tanta atividade resultou numa união  que se expandiu ainda mais com piqueniques, festas e viagens promovidos com a participação de familiares. Com laços de união tão estreitos, continuaram seu caminho.
Em 1992, foi adquirido um órgão de 366 tubos, para a realização do organista Pius Schneider e do pároco Padre João Augusto Sobrinho, que vibravam com a sua sonoridade. A inauguração ocorreu na Missa das 9:15h no dia de Natal.
Infelizmente, porém, o organista Pius Schneider pouco usufruiu tão belo instrumento. Seu falecimento, em 27 de Marco de 1994, deixou saudades, principalmente por ser de uma dedicação fora do comum. Esteve presente por mais de 40 anos. Nunca faltava. Seu amor a Deus e ao Coral superava até mesmo a doença.
Foi substituído por Sueli Hoerner Raulik, que participava como coralista desde 1956, quando ainda menina. Assim, a caminhada prosseguia. Novos membros chegavam e outros partiam para a glória de Deus ou se afastavam por compromissos pessoais. Mais duas organistas passaram a colaborar: Denise Bordenowski Pereira e Elsa Balan da Silva.
As dificuldades recomeçaram com a doença do grande líder, Monsenhor João Augusto Sobrinho. Os ensaios ficaram escassos e a qualidade se retaraindo. Em 15 de abril e 1998, ocorreu o falecimento do Monsenhor e a lacuna foi aberta. Entretanto, sua lembrança e amor fraterno dos coralistas manteve o coral unido.

Em  maio do mesmo ano, assumiu a Paróquia Padre Gabriel Figura. Novas diretrizes litúrgicas vieram trazer a necessidade de preparar outros cantos. Assim, os ensaios recomeçaram sob a direção da então organista Sueli Hoerner Haulik.
Mais uma vez, o ânimo dos membros do Coral foi arrefecido por outra perda: a do maestro Osvaldo Hohmann, em 19 de março  de 2001. Sempre presente ao longo dos anos, não abandonou o barco até o final. Apesar das dificuldades da doença, ali permanecia regendo os cânticos com maestria que somente o dom de Deus pode explicar. Possuidor de uma voz privilegiada, conduzia os tenores, sem perder nenhuma nuance das outras vozes. Alegria do Coral, sempre tinha um comentário espirituoso para divertir a todos. Sua grande preocupação era que o grupo nunca se dispersasse.
Assim, a música da missa das 9 horas que, resgatando a tradição, vem sendo transmitida ao vivo pela rádio Banda B, passou a ser regida pelo seu irmão Eugênio Hohmann. Em algumas ocasiões quando está presente a mais nova organista Leila Taschek Simões, a regência passa para Sueli Hoerner Raulik.
Novos coralistas passaram a integrar o grupo: Ademir Furlaneto, Celso Favorito, Cleber e Marilei Preuss, Ester Barbosa, João e Doroti Tarachuk, Luiz Fernando Guimarães, Pedro e Marlene Gorski, Djair e Olga Brindarolli, Tereza Ferreira, Lazinha Basso, Lúcia Barriviera.
Após tão profícua trajetória – louvada em diversas ocasiões pela Câmera Municipal de Curitiba, por proposta do então Vereador e coralista José Gorski – chegamos ao presente com 46 componentes amigos, beneficiados pelas preciosas aquisições dos antepassados e unidos pela dedicação às causas de Deus, o amor fraterno entre os homens e o respeito à arte musical.

 
 
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